| Educação no e para o lazer: conceitos
Entendendo o Lazer como fenômeno cultural recente da sociedade pós-industrial, existem vários estudos que dissertam sobre o tema na atualidade, porém ainda se ressente de estudos críticos e de relevância para o entendimento do lazer.
Segundo Mascarenhas (2003), o lazer, como expressão do contraditório, se encontra no avanço da sociedade neoliberal e globalizada em duas vertentes: de um lado a expressão do lúdico, da fruição, fantasia, do prazer estético e da experiência. Do outro lado, a busca pela satisfação imediata, a utilidade prática, o lucro e a alienação. O lazer é um “fenômeno tipicamente moderno, resultante das tensões entre capital e trabalho, que se materializa como um tempo e espaço de vivências lúdicas, lugar de organização da cultura, perpassado por relações de hegemonia".(MASCARENHAS apud MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004).
Silva e Silva (2003) apontam interessante relação do lazer com o mundo do trabalho, compreendendo-o como direito conquistado nos porões das fábricas por melhores condições, na busca pela conquista de um tempo liberado de trabalho onde pudesse exercer outras atividades, podendo o lazer se configurar num espaço e tempo de organização social através da conquista do Tempo Livre, livre das determinações do capital e tempo de produção de cultura, ou seja, na construção e conquista de um novo projeto histórico de sociedade, já que no domínio do capital o tempo do não trabalho não pode ser considerado completamente livre do capital, visão esta compartilhada por Taffarel (2005) e pelo grupo da LEPEL/FACED/UFBA (2005).
O lazer vivenciado em seu potencial lúdico, pedagógico e produtivo pode contribuir na elevação da consciência crítica da população, quando considera o sujeito protagonista histórico da sociedade em que vive. Consciente ainda, de viver na sociedade capitalista, que se apropria do trabalho produtivo, fazendo-os vender a força de trabalho e buscar a sobrevivência através do mercado de livre concorrência, o qual o objetivo principal é a obtenção da mais valia, ou seja, do lucro do patrão em detrimento da pobreza e miséria do trabalhador (a).
Como uma das mais importantes manifestações do lazer na sociedade contemporânea, temos o esporte, que segundo para Bracht (1996) quando tratado enquanto cultura de massa reproduz valores competitivos da sociedade em que vivemos, manifestando-se enquanto reprodução e consumo de um produto no tempo livre, enquanto que na cultura popular manifesta-se enquanto uma prática reflexiva que cria e recria seus valores e suas regras a partir da realidade vivida pelos sujeitos praticantes, contribuindo para a construção do processo de libertação para a emancipação humana, garantindo o acesso de todos, independente da classe social, gênero, raça, etnia, etc.
Tendo em vista que o setor de esporte e lazer hoje tem apresentado algumas problemáticas, entre elas: espaços insuficientes, inadequados ou de uso restrito ou privado, baixa capacidade de apoio às iniciativas populares, uso do esporte e lazer enquanto “moeda de troca” para campanhas eleitorais, exclusão de uma grande parcela da sociedade as diversas manifestações da cultura corporal, principalmente, as camadas populares, as mulheres, as crianças e os idosos. Podemos afirmar então, que o esporte comunitário e o lazer quase nunca foram tratados enquanto política pública garantida por lei.
Por Pedro Osmar, Natureza Humana.
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